Lãs, agulhas, chá e um vazio

Um gatinho que nasceu entre da saudade

Eu me lembro de uma cena da série Downton Abbey em que a ajudante de cozinha questiona a quantidade de comida preparada para a família depois que todos retornam de um funeral. A resposta da cozinheira é mais ou menos assim: comer não diminui a dor, mas ajuda a passar o tempo.

E as lãs e as agulhas têm tido esse efeito para mim nos últimos dias, desde a partida da minha gata.

Passamos muito tempo juntas. Tempo suficiente para eu já não saber fazer algumas coisas sem ela. Tricotar é uma dessas coisas.

E, desde que ela partiu — abrindo um parêntese aqui: eu não gosto muito de usar a palavra partiu, porque não sinto que ela tenha ido embora. Gosto de pensar que apenas passou daqui para ali, para espaços separados por uma cortina fina. E, dependendo do vento, essa cortina balança e tudo se mistura.

Mas ela é uma gata. Aposto que está pendurada nessa cortina!

Fecho os parênteses aqui para seguir com o assunto.

Mimo tem olhos verdes e brilhantes iguais aos da Jubis 🖤

As lãs e as agulhas foram teimosas e não quiseram virar um pirilampo, como estava programado. E como seguir com a programação agora, tendo um espaço vazio?

Não sei dizer. Eu não consegui.

Então passei o tempo tricotando gatinhos. Teci dois modelos bem diferentes. O primeiro vou guardar para outubro, para um projeto do Clube. O segundo deixo aqui.

Ele é um agradecimento a cada pessoa que participou, compartilhou, comprou o projeto ou simplesmente torceu por ela no período em que esteve doente. Cada uma dessas pessoas fez parte de um momento muito importante para nós.

No meio de tanta preocupação, foi muito bonito perceber quanta gente estava do outro lado, mandando afeto, perguntando por ela e ajudando como podia.

Então este gatinho é para você.Para você que me apoiou de todas as formas possíveis. ♥️

Eu não tenho muito mais que falar sobre isso, o vazio e a saudade ainda estão emboladas dentro de mim.

O laço amarelo é inspirado na roupa amarela que a Jubis usava em dias frios.

E foi assim que nasceu o Mimo.

Um gatinho de bigodes desgrenhados, olhos brilhantes e uma vida muito confortável — daquelas com mantinha quente, sachê pela manhã e espaço suficiente pela casa para correr de madrugada.

Mimo sabe bem a sorte que teve e, talvez por isso, carrega no peito um desejo simples: que todo gatinho encontre um lugar seguro para chamar de seu.

Ele chegou por aqui sem estar nos planos, mas acho que algumas criaturas simplesmente sabem a hora certa de aparecer. 🖤

Mimo tem um peixe como brinquedo favorito 🖤

Por hoje é isso. Em breve eu volto para contar alguns detalhes do Mimo, mostrar como fiz os bigodes e falar sobre os olhos mais lindos que já encontrei para amigurumis.

Espero que você goste de ter o Mimo por perto e que ele faça companhia às suas agulhas por alguns dias.

Obrigada, mais uma vez, por todo o carinho que chegou até nós. Ele fez — e ainda faz — diferença por aqui. ♥️

A gente se encontra em breve, entre fios, pontos e novas criaturas.

Com carinho,

Jubis 🖤

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